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Sites e Aplicativos

Meu primeiro app funcional

20 de março de 2026 às 19:37

Como eu resolvi um problema sozinho quando um time não conseguiu?

Bem, essa é uma jornada de alguém que não é programador, mas criou um aplicativo realmente útil e isso mudou tudo.

Do que se trata?

  • Um aplicativo para a cotação de produtos da feira de supermercado.
  • Feito com inteligência artificial, por alguém que não é desenvolvedor.

1. O problema

No supermercado onde eu trabalhava como UX/UI, tem um setor de compras de FLV (frutas, legumes e verduras) onde operam como se estivessem nos anos 90.

O início do fluxo: Compradores recebem listas de preços de diversos fornecedores via WhatsApp.
Essas listas não são padronizadas. Cada fornecedor escreve do seu jeito.

O "Labirinto" de Papel: Eles copiavam o texto do WhatsApp para o Word, imprimiam as listas e faziam a comparação de preços à mão, circulando produtos e marcando a quantidade desejada em 5 ou 6 folhas espalhadas na mesa.


Retorno Ineficiente: Após decidirem as quantidades, tiravam uma foto do papel rabiscado e enviavam de volta para o fornecedor via WhatsApp.


Consequência: O desperdício de papel é o de menos, pensa no tempo perdido, a dependência de várias etapas, a falta de histórico, sem comparativo com outros fatores e até para o fornecedor que precisa abrir a imagem e anotar o que o comprador marcou na folha.

2. O Fracasso da "Solução Corporativa"

Um ano antes, uma equipe de 8 a 10 pessoas tentou digitalizar o processo com planilhas (eu incluso, mas iniciando).

O fluxo proposto:

Para o fornecedor.
  1. Abrir o aplicativo do Google Sheets no celular.
  2. Encontrar seus produtos na planilha.
  3. Olhar no WhatsApp o preço, copiar ou lembrar, voltar à planilha e atualizar.
  4. Repetir isso para dezenas de produtos.
Para o comprador.
  1. Acessar o Google Sheets.
  2. Baixar a planilha.
  3. Acessar o sistema, importar a planilha,
  4. Rezar para funcionar.

Os Erros:

  1. A solução ignorava a realidade do fornecedor, que enviava preços para dezenas de clientes simplesmente atualizando a mensagem com a lista e encaminhando.
  2. O sistema exigia planilhas perfeitamente formatadas; qualquer variação impedia a importação dos dados.
  3. O sistema tentava ler o conteúdo para descobrir de qual fornecedor era o arquivo, na tentativa de facilitar o trabalho do comprador.

Resultado: A solução foi abandonada em apenas dois dias. Mas continue acompanhando para entender.

3. Inteligência Artificial e a solução

Quando eu percebi que poderia criar um sistema com inteligência artificial, foi então que minhas ideias começaram a surgir para resolver o problema que foi abandonado.

Então acompanhei de perto os processos para tentar imaginar a melhor solução, de uma forma que fosse aplicada naturalmente, sem mudanças drásticas e tralhosas.

Foi aí que cheguei no (nome genérico, ok) VERDURA SUPER FÁCIL.

01-Bem-vindo.jpg

Meu fluxo proposto:

  1. O coprador copia a lista do WhatsApp.
  2. Vai no aplicativo, na opção de cotação.

02-Dashboard.jpg

  1. Clica em um fornecedor e cola a mensagem.

04-adicionando-mensagem.jpg

  1. Quando todas as mensagens de que precisa, basta clicar em processar e o aplicativo trabalha para processar, identificar e organizar os produtos.

06-toasts.jpg

  1. Conforme o comprador insere as quantidades, o sistema mostra o mais barato, seja por produto individual ou no montante geral por fornecedor.

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  1. Clicando em "Ver resumo", os produtos aparecem separados por fornecedor para que seja conferido antes de fazer o pedido.

10-resumo-1.png

  1. Ao clicar em fazer pedido, o WhatsApp é aberto com a lista e o comprador só precisa enviar.

11-whatsapp.png

Qual a principal diferença nesse fluxo?

Eu não modifiquei o trabalho da outra parte.

Não se tenta resolver um problema interno modificando um agente externo.

Perceba que eu mantive, de certo modo, o fluxo do comprador, porém, em vez de olhar para uma folha na mesa, ele olha para a tela.

Ele continua copiando e colocando a mensagem, mas não clica em imprimir, clica em processar.

Um dos erros da solução que não deu certo foi tentar automatizar no lugar menos importante. Em vez de permitir que o usuário informe de quem pertence a planilha, o sistema tentava identificar o dono pelos dados internos como CNPJ, nome e descrição. E se havia um espaço ou um ponto além do esperado, o sistema travava e o trabalho parava.

O que eu fiz, basicamente.

Algoritmo de Identificação: Utilizei várias mensagens de vários fornecedores para ensinar o sistema. Verifiquei cada produto para contemplar todas as possibilidades de escrita errada, combinação entre valores de peso e preço para que a identificação fosse precisa.

O sistema poderia ir além? Com certeza. O próximo passo era conectar com o WhatsApp e identificar a mensagem com a lista de preços e montar a cotação automaticamente.

Na verdade, eu consigo visualizar um sistema super completo que depende ainda menos do usuário.

Um dos problemas que eu tinha era não poder conectar com o ERP que já era usado pelos compradores. Então minhas soluções só poderiam ir até certo ponto.

Mas imagine um sistema que tem histórico de vendas, podendo analisar e usar como sugestão de compra, recebendo a lista de preços, comparando com vendas e fazendo o pedido para o fornecedor.

As ideias são infinitas, eu realmente queria fazer algo assim.

4. O Impacto (Resultados)

A solução foi matadora.

Aprovação Total: Recebi elogios diretos de compradores pela facilidade de uso.
Os fornecedores também gostaram, não recebiam mais fotos das folhas, mas sim uma lista organizada.

Eficiência Operacional: Fim das impressões, da falta de histórico, da demora, da confusão e de atrapalhar os fornecedores. Fluxo natural, sem fricção.

Proatividade: Resolvi em um projeto solo um problema crítico que o time de TI da empresa considerava complexo demais e sempre deixava para depois.


Lições de quem saiu da cadeira

Aqui estão os pilares que guiaram esse projeto e que definem como eu trabalho hoje:


O erro de escritório: O pessoal falhou porque tentou impor uma solução que eles achavam a correta, e não que de fato ajudava. A falta de contato, de vontade de entender e pensar de uma forma não tradicional acaba por prejudicar, gastar tempo e dinheiro em soluções que só dificultam o processo. 


A "Imersão no Caos": Eu passei horas gravando áudios, observando o fluxo e até ajudando no processo manual. Só entendi o problema de verdade quando vi o "porquê" por trás de cada papel rabiscado.

Não basta ouvir o usuário, precisa observá-lo: O usuário muitas vezes não sabe que o que ele faz é um erro ou um atraso; ele apenas se adaptou à burocracia. 


Minha função foi captar o que ele não disse. Eu não perguntei "como você quer que eu resolva o problema?", eu assisti aos problemas.

Eu vi o trabalho desnecessário e fui confirmando através de uma conversa a qual o usuário efetivamente não sabe como resolver, mas eu já criava algo mentalmente.

“Pela sombra”: Melhor pedir perdão do que permissão

Se eu tivesse esperado autorização do chefe ou a bênção dos programadores, o projeto nunca teria saído do papel. Eles me viam apenas como o "cara do UX" que fazia botões.

A validação real: Quando o sistema resolve a dor de quem está na ponta, a adoção é orgânica. Os compradores usaram o app em segredo porque ele simplesmente funcionava. O elogio de quem usa vale mais do que qualquer tapinha nas costas da gerência. 


5. O Designer que constrói é o novo padrão

A "virada de chave" foi entender que, para mim, que era focado em UX/UI, se eu não fosse além no domínio das ferramentas, na compreensão das necessidades do usuário e nas iniciativas para melhorar, eu não teria saído do lugar, seria só mais um.

Eu destravei a minha mente e hoje gosto de resolver esse tipo de problema.

Ah, e não, não fui promovido ou ganhei mais, eu fui demitido.

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